Palestra realizada no SESC Vila Mariana “A Sensibilidade e a Oralidade na Aprendizagem” com Péo e Claudemir Belitante - 18/9/ 2008
Ela inicia sua palestra se auto denominando não mais como professora mas como uma contadora de casos de crianças
Nas palavras de Péo
O brincar por tanto, é um meio dela saber o que ela quer...Brincar é um exercício de bondade, de liberdade e alegria...tudo o que incomoda o sistema.
A escola não oferece esse espaço e denominam as crianças como hiperativas mas ninguém fala que a escola é hipoativa.
Hoje em dia os professores estão cansados. Reconhecemos os professores no ponto de ônibus, ele esta cercado pela escola que aprissiona a potência de vida, ...e o brincar é muito perigoso para o sistema.
II parte – Palestrante Claudemir
Nas palavras de Claudemir
Sim. Meu interesse como professor é o conceito de memória na alfabetização.
Eu não falo da memória da época da ditadura que o ensino tradicional levou ao extremo (o decorar tabuada e verbo), falo da memória lúdica que vem através dos jogos orais e da poesia .
Faz uma reflexão a cerca dos gregos e nos pede para não anotarmos, para lidarmos com a memória.
Vou falar um pouco da importância da poesia na Grécia antiga. E depois vou falar da importância da poesia na vida da criança.
Na Grécia antiga existiu uma deusa chamada Minemósine, ela era a mãe das musas e nasceu no cruzamento entre Jéia e Urano. Ela gerou as musas que são inspiradoras dos poetas. Existe então uma musa para cada arte. (ele esta falando de uma Grécia antes de Homero), portanto, a memória era co- inspiradora. Esses poetas entravam em contato com as musas e através do transe produziam suas poesias, e se produzia poesia em movimento, com o corpo.
A poesia aos pouco foi entrando na escola como instrumento de educação, o poeta professor fazia com que o aluno sentisse no corpo por exemplo o que era o sentimento da palavra cólera, o oposto de Platão que queria uma educação dialética, por isso que ele brigava com os poetas.
A poesia tem um elemento fundamental que é a métrica, isso fazia com eles memorizassem.
O papel do professor é dar oportunidade e repertório para as crianças brincarem com as palavras para não caírem nessa fala dura do cotidiano. Nos comunicamos com as crianças no imperativo “ vem cá, vai lá, faço”. Criar um espaço para jogar com as palavra é fundamental para a alfabetização.
Os professores miram muito a Emilia Ferrero, é necessário mirar menos. Ela dominou a educação brasileira de uma forma abusiva, embora ela seja uma das maiores pesquisadoras acadêmicas, mas não serve pra educação de uma maneira geral, as escolas Estaduais estão classificando os alunos em pré silábicos, e dentro do pré silábico existe outras coisas. Infelizmente para o Estado o alfabético e o suficiente.
É preciso fazer compreender a noção de escuta de uma criança sobretudo as que tem dificuldade, hoje ouvimos muito sobre considerar a cultura da criança, mas como? escutando as crianças”.
Ele fez uma adivinha:
Belos penachos
Água na cuia
Flores no cacho
A leitura não é só no papel é interna, brincar com adivinha tem a ver com leitura.
Essa técnica existe desde os romanos.
E qualquer texto pode ter um tratamento antes de chegar as mãos das cças. Muitas cças chegam sem esse repertório e a escola não repõem”.
“Compreendo que a criança domina a palavra”.
Ex:“ Eu quero te dar esse castisol”. Palavras de uma criança de 4 anos contado por Péo.

