sábado, 27 de setembro de 2008

Palestra realizada no SESC Vila Mariana “A Sensibilidade e a Oralidade na Aprendizagem” com Péo e Claudemir Belitante - 18/9/ 2008

I parte - Palestrante Péo

Ela inicia sua palestra se auto denominando não mais como professora mas como uma contadora de casos de crianças

Nas palavras de Péo

Existe uma cultura própria da criança, ela sabe o que quer, nenhum gesto da criança é aleatório.

O brincar por tanto, é um meio dela saber o que ela quer...Brincar é um exercício de bondade, de liberdade e alegria...tudo o que incomoda o sistema.

A escola não oferece esse espaço e denominam as crianças como hiperativas mas ninguém fala que a escola é hipoativa.

Hoje em dia os professores estão cansados. Reconhecemos os professores no ponto de ônibus, ele esta cercado pela escola que aprissiona a potência de vida, ...e o brincar é muito perigoso para o sistema.

A curadora questiona: O fato da criança possuir um repertório antes de chegar na escola, não seria um bom ponto de partida para a alfabetização da criança?E esse seria um indicativo para a diminuição da falência da alfabetização?


II parte – Palestrante Claudemir

Nas palavras de Claudemir

Sim. Meu interesse como professor é o conceito de memória na alfabetização.

Eu não falo da memória da época da ditadura que o ensino tradicional levou ao extremo (o decorar tabuada e verbo), falo da memória lúdica que vem através dos jogos orais e da poesia .

Faz uma reflexão a cerca dos gregos e nos pede para não anotarmos, para lidarmos com a memória.

Estamos lidando muito com o papel e com computador.

Vou falar um pouco da importância da poesia na Grécia antiga. E depois vou falar da importância da poesia na vida da criança.

Na Grécia antiga existiu uma deusa chamada Minemósine, ela era a mãe das musas e nasceu no cruzamento entre Jéia e Urano. Ela gerou as musas que são inspiradoras dos poetas. Existe então uma musa para cada arte. (ele esta falando de uma Grécia antes de Homero), portanto, a memória era co- inspiradora. Esses poetas entravam em contato com as musas e através do transe produziam suas poesias, e se produzia poesia em movimento, com o corpo.

A poesia aos pouco foi entrando na escola como instrumento de educação, o poeta professor fazia com que o aluno sentisse no corpo por exemplo o que era o sentimento da palavra cólera, o oposto de Platão que queria uma educação dialética, por isso que ele brigava com os poetas.

A poesia tem um elemento fundamental que é a métrica, isso fazia com eles memorizassem.

A criança preserva essa métrica interior, por isso que elas gostam da rima e do ritmo. Tem criança que fala conosco na métrica.

O papel do professor é dar oportunidade e repertório para as crianças brincarem com as palavras para não caírem nessa fala dura do cotidiano. Nos comunicamos com as crianças no imperativo “ vem cá, vai lá, faço”. Criar um espaço para jogar com as palavra é fundamental para a alfabetização.

Os professores miram muito a Emilia Ferrero, é necessário mirar menos. Ela dominou a educação brasileira de uma forma abusiva, embora ela seja uma das maiores pesquisadoras acadêmicas, mas não serve pra educação de uma maneira geral, as escolas Estaduais estão classificando os alunos em pré silábicos, e dentro do pré silábico existe outras coisas. Infelizmente para o Estado o alfabético e o suficiente.

É preciso fazer compreender a noção de escuta de uma criança sobretudo as que tem dificuldade, hoje ouvimos muito sobre considerar a cultura da criança, mas como? escutando as crianças”.

Ele fez uma adivinha:

Altos castelos

Belos penachos

Água na cuia

Flores no cacho

A leitura não é só no papel é interna, brincar com adivinha tem a ver com leitura.

Essa técnica existe desde os romanos.

E qualquer texto pode ter um tratamento antes de chegar as mãos das cças. Muitas cças chegam sem esse repertório e a escola não repõem”.

“Compreendo que a criança domina a palavra”.

Ex:“ Eu quero te dar esse castisol”. Palavras de uma criança de 4 anos contado por Péo.

Encerram dizendo que a escola tem um papel fundamental na preservação da cultura e é responsável por escutar a criança.É fundamental que ela proponha maneiras da criança escutar, é aprendendo a escutar que elas serão capazes de elaborar perguntas.








Nota (972)

Teatro Coletivo Fábrica

O Teatro Coletivo Fábrica ocupa desde 2004 o antigo galpão industrial de 1350 m² da indústria de rádio Invictus, empresa pioneira na produção do primeiro televisor fabricado no país.

O teatro comporta uma sala de espetáculo com palco italiano com capacidade de 134 lugares, uma segunda sala de espetáculo em que são distribuídas entre 60 e 80 cadeiras móveis, e um terceiro ambiente conhecido como porão onde são disponibilizadas em média 50 cadeiras. Acontecem nesses espaços espetáculos de dança e teatro tanto para o público adulto como o infantil.

Em sua inauguração tinha o nome de Teatro Fábrica São Paulo. Desde 2008 chama-se teatro coletivo fábrica. O novo nome é conseqüência da ação coletiva para o não fechamento do espaço que culminou com a realização do evento “Teatro e Dança para a Juventude”, do qual participaram cento e oito artistas e pesquisadores que abriram mão de seus cachês em benefício do teatro e dos expectadores.


TEATRO COLETVO FÁBRICA

Rua da consolação, 1623, São Paulo - SP
Telefone: (11) 3255-592214
Quarta a domingo das 14 às 22h

www.fabricasaopaulo.com.br